ProACE, ProPG e CCI discutem permanência de estudantes indígenas na Pós-Graduação

Em reunião realizada no dia 12 de maio, as Pró-Reitorias dialogaram com pós-graduandos indígenas sobre condições de permanência e pesquisas

As Pró-Reitorias de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE) e de Pós-Graduação (ProPG) se reuniram, no dia 12 de maio, com o Centro de Culturas Indígenas (CCI) da UFSCar para debater as condições de permanência e de pesquisa de discentes indígenas na pós-graduação. No encontro, a importância histórica da presença indígena na universidade e na produção do conhecimento foi retomada pelos estudantes, que também destacaram as limitações enfrentadas, as potências construídas pelos indígenas nos diferentes programas de pós da instituição e os caminhos para o fortalecimento da presença indígena na pós-graduação.

ProACE e ProPG apresentaram as especificidades dos Programas de Pós-Graduação e da Política Nacional de Permanência Estudantil. As unidades também explicitaram os suportes já consolidados na UFSCar até o momento, incluindo o subsídio para acesso ao Restaurante Universitário (RU), a moradia estudantil para pós-graduandos sem bolsa, a cota de recorte social na distribuição de bolsas (que determina que 26% das bolsas da CAPES destinadas à universidade sejam voltadas para a permanência estudantil) e o suporte em saúde/socioassistencial ofertado pelas diferentes unidades ligadas à permanência estudantil e ações afirmativas - ProACE e SAADE.

Durante a reunião, foi apresentado aos estudantes o Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena (PDAI), nova ação do governo federal regulamentada pela Portaria CAPES Nº 150, de 7 de abril de 2026. O PDAI visa induzir ações voltadas para inclusão, permanência e qualificação de estudantes e pesquisadores indígenas na pós-graduação stricto sensu brasileira sob regência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).  A política está em fase de regulamentação pelo Ministério da Educação (MEC) e a UFSCar está atenta à sua implementação.

Como encaminhamentos do encontro, as Pró-Reitorias trabalharão na expansão do acesso à Bolsa Alimentação integral para todos os pós-graduandos indígenas, na desburocratização da análise documental de estudantes indígenas que já comprovaram pertencimento étnico na graduação e na garantia de apoio financeiro para a participação de até um evento científico ao ano por pós-graduando indígena. ProACE e ProPG também irão construir um cadastro de estudantes indígenas na pós-graduação para geração de indicadores e fortalecimento das políticas interunidades.

"A presença indígena na pós-graduação é uma forma indispensável de reparação do epistemicídio e o eurocentrismo do conhecimento praticado na América Latina ao longo dos últimos séculos; mas, para além do acesso, a pós permanência ainda é um desafio para as universidades brasileiras. A reunião de hoje foi mais um passo em direção à democratização da universidade, da formação plural e inclusiva de docentes e de pesquisadores na pós-graduação", avaliou a Pró-Reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis, Sabrina Ferigato.

A reunião foi um espaço importante de troca, protagonizado pelos estudantes indígenas da pós-graduação. Diante do encontro, as Pró-Reitorias e os estudantes reforçaram o compromisso mútuo de manter agendas periódicas, para manter o diálogo, o acesso à informação e a construção coletiva.

A UFSCar é terra indígena!