SGAS promove a restauração de 10 hectares de vegetação nativa no Campus São Carlos
A Secretaria Geral de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SGAS) da UFSCar está trabalhando na restauração ecológica de cerca de 10 hectares em diferentes regiões do Campus São Carlos. O trabalho realizado pela unidade, que é vinculada diretamente à Reitoria, envolve o plantio de mudas nas áreas verdes e a substituição de árvores mortas e/ou com risco de queda do sistema de arborização urbano do campus.
Sete hectares já foram restaurados na área do Cerrado, cinco deles em áreas de reserva legal e dois na região onde é realizada anualmente a queima prescrita (link externo). Na área urbana do Campus, alguns bosques de vegetação exótica foram substituídos por árvores nativas. Houve também o replantio de árvores do sistema de arborização urbana na região da Unidade Saúde Escola e das quadras esportivas.
“Nós estamos trabalhando na substituição de partes do sistema de arborização do Campus. Com isso, a gente busca a melhoria das condições ambientais da universidade como um todo. É importante que a comunidade universitária entenda que essas árvores foram plantadas na época da fazenda, com finalidade produtiva. Essas espécies são exóticas e têm um ciclo de vida definido, com início, meio e um fim, um ponto de colheita. Quando esse ponto é ultrapassado, nós começamos a ter problemas, porque essas árvores crescem mais do que deveriam, apresentando muitas vezes um sistema de raízes que não é proporcional à sua biomassa acima do solo, e aí começam as quedas de galhos, de ramos e até de árvores inteiras”, explica Lucas Dias Sanglade, técnico do Departamento de Gestão de Áreas Verdes, Biodiversidade e Agroambientes (DeGABA/SGAS).
Remoção de bosques de vegetação exótica
O processo de remoção da vegetação exótica distribuída pelo Campus São Carlos se iniciou em julho de 2025 (link externo), com a retirada dos bosques de Pinus e Eucaliptos nos arredores da Unidade Saúde Escola (USE), do Departamento de Física (DF), do Departamento de Química (DQ) e do Restaurante Universitário (RU). As duas espécies são consideradas exóticas por serem nativas de outros continentes, com características climáticas e de solo diferentes. Apesar de benéficas em suas regiões de origem, ao chegarem ao Brasil, costumam causar prejuízos aos ecossistemas naturais, podendo ser afetadas por doenças locais e gerar riscos diversos às pessoas.
Outro exemplo de árvore exótica encontrada no Campus São Carlos é o Flamboyant, uma árvore originária de Madagascar, que ao ser plantada no Brasil é contaminada por um fungo do gênero Fusarium, existente no solo brasileiro, que gera doenças na espécie exótica, fazendo com que ela tenha uma vida muito mais curta do que em sua região de origem. “Às vezes as pessoas nos questionam porque cortamos o Flamboyant se ele estava dando flor, mas a florada é comum em árvores que estão entrando em estado de senescência, que é quando estão morrendo. A árvore dá flores para se reproduzir antes de morrer e gerar descendentes de sua espécie. Por isso vemos muitas árvores com o fungo, com cogumelos gigantescos no pé, que já estão totalmente comprometidas por dentro, dando flor”, comenta a engenheira agrônoma e coordenadora multicampi da SGAS, Gabriela Strozzi.
A SGAS reforça que as árvores não são removidas da UFSCar se não houver risco para a comunidade universitária. “Gostaríamos de frisar que nenhuma árvore é suprimida se não for por segurança. Segurança envolve verificar se ela está morta, se está com alguma doença, como está seu estado sanitário, se ela está se projetando em cima de um prédio, se vai colocar as pessoas em risco. Nenhuma árvore é suprimida sem avaliação técnica”, afirma Strozzi. Outras áreas que estão em risco, como o bosque próximo ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), ainda terão os talhões de Eucalipto e Pinus removidos. O tema será tratado em reunião aberta a ser realizada com a comunidade diretamente envolvida nessas áreas.
Condução da regeneração natural das áreas
Após a remoção das árvores exóticas, a SGAS atuou na reintrodução de espécies ameaçadas de extinção nas áreas urbanas do Campus São Carlos. Parte das 600 mudas plantadas são de espécies nativas ameaçadas. “Nós plantamos mudas de araucárias, jequitibás rosa e cedros rosa, que são três espécies ameaçadas de extinção no estado de São Paulo. Com esta ação trazemos um ganho ambiental muito grande para a UFSCar, reforçando o compromisso com a conservação da natureza em âmbito regional”, ressalta Lucas Dias Sanglade.
As 15 araucárias plantadas no campus são originárias de pinhões colhidos em São Carlos. “São as primeiras araucárias que se tem registro na história recente, pós-colonização do homem branco, que são feitas com pinhões aqui de São Carlos. É algo inédito e especial para esse bosque que está se formando sob nosso cuidado intenso”, explica o engenheiro agrônomo.
Outra consequência da remoção das árvores e vegetação exótica é o retorno natural de plantas nativas. As sementes naturais da região que estavam dormentes no solo e renasceram quando os Pinus e Eucaliptos foram suprimidos são chamadas de regenerantes. “Quando removemos o Pinus, demos oportunidade desses regenerantes terem condições ambientais para emergirem. Hoje a gente chega lá e já vê cedros com mais de um metro e meio de altura, que foram vindo conforme foi feita a remoção da área. O enriquecimento ambiental que observamos, conduzindo a regeneração natural das áreas, inserindo espécies nativas, está sendo muito mais benéfico em relação aos bosques de Pinus em si”, aponta Gabriela Strozzi.
A diferença do plantio conduzido pela SGAS em relação ao anterior, feito na época da Fazenda Trancham, é o planejamento. Existe uma organização do espaço para que as árvores nativas não conflitem com os prédios e até contribuam para a recuperação da própria fauna da região, que pode se abrigar nos novos bosques. A distância entre as espécies garante que, mesmo quando adultas, as árvores não representem riscos às edificações ou aos equipamentos da Universidade.
O processo de regeneração promovido pela SGAS tem como objetivo transformar as áreas de Pinus e Eucalipto já removidas em bosques, para garantir a circulação de pessoas, trazer beleza cênica ao campus e também aproximar a comunidade universitária das espécies nativas em extinção. Esse processo não se encerra com o plantio, a Secretaria acompanha de perto as áreas pelo tempo que for necessário para garantir seu desenvolvimento e, depois, segue atuando na conservação dos novos bosques.
Como acionar a SGAS
A comunidade universitária pode acionar a SGAS para avaliar a situação de árvores ou fragmentos de vegetação em todos os campi da UFSCar. “Nós não atuamos somente no Campus São Carlos, nossa Secretaria é multicampi. O planejamento que está sendo realizado em São Carlos é mais específico, pois é neste campus que está concentrada nossa maior floresta urbana, mas as avaliações, remoções e reconduções também são realizadas nos outros campi”.
O pedido de avaliação de risco pode ser feito pelo e-mail sgas@ufscar.br ou por Processo SEI. Depois de acionada, a equipe da SGAS vai até o local, realiza uma avaliação e emite um relatório técnico, que será utilizado para solicitar o licenciamento junto aos órgãos competentes, caso a remoção da árvore seja necessária. Depois de garantida a licença, a SGAS atua em conjunto com a Pró-Reitoria de Administração e com a Prefeitura Universitária de cada Campus, para fazer a execução do serviço e finalizar o processo.